Minha primeira tentativa de vir para os Estados Unidos foi em 96.
Eu estava trabalhando na central de reservas da Varig, em São Paulo, no aeroporto de Congonhas. Era uma vida dura. Eu morava na Penha, zona leste de São Paulo e tinha que pegar um ônibus, dois metrôs e outro ônibus para chegar em Congonhas. Demorava quase duas horas para chegar lá.
Quando eu entrei na Varig, eles me ofereceram uma vaga na loja de passagens e eu recusei (tsc tsc tsc). Eu estava fazendo faculdade de tratutor e intérprete na Unibero (que naquela época se chamava Faculdade Ibero Americana) e não podia aceitar o convite por conflito de horários. Grande erro! Na central de reservas eu trabalhava num turno de 8 horas. Trabalhava igual a um cachorro (como diz minha amiga Leda) digitando sem parar. Aquilo era uma loucura de gente ligando para fazer reservas. Eu mal tinha tempo para respirar entre uma chamada e outra. Era tanta reserva que eu fazia que eu estava desenvolvendo um bela tendinite.
Algum tempo depois descobri que havia um ônibus da empresa que ia de Congonhas a Cumbica e passava perto da minha casa. Era só mostrar o crachá para entrar e aproveitar tranquilo o ar condicionado, tirando um cochilo gostoso.
Depois de alguns meses na Varig, eu já estava com minha tendinite estourada. Meu pulso doía tanto! Cada vez que eu atendia o telefone, eu torcia para que não fosse uma reserva, mas só uma informação. Eu não era o único com tendinite. Vários outros funcionários já tinham pegado licença médica e eu, pelo jeito, estava seguindo o mesmo caminho. Um belo dia, xereta que sou, descobri o ramal para transferir a ligação para o próximo agente. Eu (com tendinite) transferia todas as chamadas. Minha alegria não durou muito tempo. Um belo dia eu estava sendo monitorado quando fiz essa façanha.
Fui demitido imediatamente.
Era para eu passar no RH no dia seguinte para entregar meu crachá e assinar a papelada. Ao invés de ir para o RH, fui na polícia federal, tirei meu pasaporte, fui no consulado americano peguei senha e tirei meu visto de turista munido de meu crachá da Varig, minha carteira de trabalho ainda assinada pela Varig e meus três mais recentes pagamentos. Eu ainda disse que estava saindo de férias e que ia viajar de graça pela Varig. Fui na maior cara de pau. E meu visto saiu no dia seguinte.
Só DEPOIS que o meu visto já estava na mão é que passei no RH da Varig e devolvi meu crachá e rescindi o contrato.
No comments:
Post a Comment